1. Historiografia

1. AS MULHERES NA ARQUEOLOGIA PORTUGUESA
Jacinta Bugalhão / FCT

Actualmente a profissão de “arqueólogo” e um exemplo conseguido de paridade plena. De facto, após a primeira direcção de trabalhos arqueológicos em 1950 e uma presença residual ate aos anos 60 do século XX, as mulheres foram progressivamente ocupando o seu lugar na pratica arqueológica. Nos anos 70, constituíam 20% dos arqueólogos autorizados a dirigir trabalhos arqueológicos e em 1990, cerca de 30%. Com o dealbar do século XXI, o grupo profissional torna‑se consolidadamente paritário. Neste trabalho procura‑se um primeiro esboço histórico sobre este processo fortemente ligado a evolução recente da sociedade e cultura portuguesas, desde as primeiras pioneiras, ate ao momento presente em que o género, aparentemente, deixou de ser uma questão no exercício da profissão.

2. HISTÓRIA DOS TRABALHOS ARQUEOLÓGICOS NO VALE DO RÔTO (BOMBARRAL)
Cláudia Manso / Museu Municipal do Bombarral

Das descobertas e intervenções efetuadas no final do séc. XIX pelos primeiros pré‑historiadores portugueses às iniciativas amadoras dos arqueólogos do Bombarral, fundadores do núcleo museológico da vila, com a colaboração da equipa dos Serviços Geológicos de Portugal e a subsequente instalação da Missão Arqueológica Francesa, orientada por Jean Roche, apresenta‑se o historial dos trabalhos arqueológicos no Vale do Rôto e alguns aspetos de conteúdo da dinâmica administrativa desenvolvida entre a Tutela e os curiosos locais.

3. EDUARDO DA CUNHA SERRÃO, A AAP E O PROJECTO DE ESTUDO DA ARTE RUPESTRE DO TEJO
Francisco Sande Lemos / Associação dos Arqueólogos Portugueses

Eduardo da Cunha Serrão foi vogal da Secção de Pré‑História, seu Presidente (1974‑1987) e Presidente da AAP (1987‑1990). O seu contributo foi decisivo numa das primeiras grandes operações de Arqueologia Preventiva em Portugal: o Salvamento da Arte Rupestre do Tejo (1971‑1974). Como responsável máximo dos estudos, assumiu plenamente as funções de coordenador e dedicou ao Salvamento da Arte Rupestre do Tejo grande parte do seu tempo livre, tendo como colaboradores estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa (agregados no GEPP). Manteve correspondência assídua e contactos pessoais quer com a entidade da tutela (Direcção Geral dos Assuntos Culturais), quer com Fundação Calouste Gulbenkian. Por outro lado participou activamente na imediata divulgação científica e mediática das sucessivas descobertas, designadamente na Secção de Pré‑História da AAP. Esta comunicação pretende evidenciar, numa perspectiva diferente da de outros textos já publicados, o valioso contributo de ECS no processo, nas diversas plataformas, desde a gestão ao planeamento das campanhas. O texto baseia‑se nos artigos subscritos pela equipa que estudou a Arte Rupestre do Tejo, na ampla documentação (quatro volumosos dossiers do Arquivo do Direcção Geral do Património Cultural), no legado de Jorge Pinho Monteiro (em depósito no Museu Nacional de Arqueologia) e na memória pessoal do autor.

4. TRÊS DÉCADAS DE ESCAVAÇÕES EM VILA NOVA DE SÃO PEDRO (1937-1967)
Maria Ribeiro / Mestranda em Estudos do Património da Universidade Aberta
João Luís Cardoso / Professor Catedrático da Universidade Aberta. Centro de Estudos Arqueológicos do Conselho de Oeiras (Câmara Municipal de Oeiras)

Com base na análise sistemática e exaustiva da documentação conservada em diversos arquivos, foi possível reconstituir a sequência das escavações realizadas no povoado calcolitico fortificado de Vila Nova de São Pedro entre 1937 e 1967, correspondendo às intervenções de Eugénio Jalhay e Afonso do Paço e, depois, apenas deste último. Abordar‑se-ão, sucessivamente, os diversos aspectos relativos à realização dos trabalhos de campo, através da caracterização: dos processos de autorização para a realização das escavações; dos apoios financeiros e dos seus requisitos; dos apoios logísticos e da metodologia utilizada para a sua obtenção; da relação com os arqueólogos portugueses da época.

5. A DESCOBERTA DO TÚMULO DE SÃO TORPES EM 1591
Ricardo Estevam Pereira / Câmara Municipal de Sines – Museu de Sines

Em 1591 escavou-se próximo de Sines um monumento funerário, de que nos chegaram relatos coevos e algumas gravuras posteriores. Não se tratou de um achado fortuito, mas de uma acção intencional alicerçada num contexto de Contra-Reforma onde se procura a legitimação das posições do presente num passado, de que se buscam os vestígios materiais e novas formas de os interpretar.
Esta nova disciplina – que virá a ser a arqueologia – que aqui se está a esboçar, surge assim com um com um papel de peso, poder interventivo e uma atenção por parte dos diversos poderes que hoje de alguma forma podemos invejar.

6. ABEL VIANA E O MUNDO FUNERÁRIO ROMANO NO NORTE ALENTEJANO (PORTUGAL) – PERSPECTIVAS DE UMA LEITURA INTEGRADA
Mónica Rolo / UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa. Bolseira de Doutoramento FCT SFRH / BD

Pretende-se ilustrar o alcance do contributo de Abel Viana (1896-1964), para o conhecimento das práticas funerárias romanas documentadas no território do actual Alto Alentejo. As intervenções arqueológicas de Abel Viana neste território, e em especial na região de Elvas, com a exploração das designadas «necrópoles célticoromanas», decorreram da sua tomada de conhecimento, em 1948, da actividade exploratória desenvolvida por António Dias de Deus. A partir dessa altura iniciou-se uma parceria que se prolongaria até 1955, e da qual resultou a identificação, na região alto alentejana, de um conjunto de cerca de 19 sítios onde se terá verificado evidência arqueológica de enterramentos de cronologia romana; e a recolha de um vasto e variado espólio proveniente das estações romanas e romano-visigóticas exploradas.

7. ALGUNS ASPECTOS DA HISTÓRIA DA EPIGRAFIA DO CONVENTVS PACENSIS
Pedro Marques / UNIARQ – FLUL / FCT

Com base no contributo de José Leite de Vasconcelos no trabalho de Hermann Dessau respeitante aos Additamenta nova ad corporis volumen II, propomo-nos a estudar o conjunto epigráfico do conuentus Pacensis, averiguando as hipóteses de trabalho que os dois investigadores colocaram na realização dos seus estudos científicos, assim como aferir a sua validade actual, obter pistas para examinar as hipóteses consideradas após os dois autores, sugerir novas hipóteses de leitura e interpretação dos textos epigráficos, actualizar os estudos científicos dos temas respeitantes às inscrições e contribuir por último para a nova edição do CIL II, fornecendo elementos para a história da investigação epigráfica.

8. CERÂMICA ISLÂMICA EM PORTUGAL: 150 ANOS DE INVESTIGAÇÃO
Jaquelina Covaneiro / Câmara Municipal de Tavira / CEAUCP-CAM
Isabel Cristina Fernandes / Museu Municipal de Palmela / CEAUCP-CAM
Susana Gómez / Investigadora do Programa Ciência 2008 / FCT / CEAUCP-CAM
Maria José Gonçalves / Câmara Municipal de Silves / CEAUCP-CAM
Isabel Inácio / CEAUCP-CAM
Constança dos Santos / CEAUCP-CAM
Catarina Coelho / DGPC / CEAUCP-CAM
Marco Liberato / IEM-FCSH-UNL / CEAUCP-CAM
Jacinta Bugalhão / FCT / UNIARQ / DGPC / CEAUCP-CAM
Helena Catarino / FLUC / CEAUCP-CAM
Sandra Cavaco / Câmara Municipal de Tavira / CEAUCP-CAM

As primeiras referências sobre cerâmica islâmica em Portugal remontam ao final do século XIX. A investigação evolui timidamente até aos anos 80 do século XX, quando se assiste ao incremento dos estudos sobre a temática, impulsionado pelos projectos estruturantes de Mértola e Silves. Nos anos 90, este incremento
intensifica-se e, na última década, aumenta o número, a diversidade e a dispersão geográfica de trabalhos e projectos, nomeadamente com origem em arqueologia urbana.
O projecto CIGA (Cerâmica Islâmica do Garb al-Andalus), iniciado em 2008, insere-se nesta dinâmica, promovendo a sistematização, problematização e divulgação de toda a informação dispersa e apresentando aqui uma síntese histórica dos estudos sobre cerâmica islâmica em Portugal, suas principais tendências, problemas, virtudes e perspectiva futuras.

9. ARQUEOLOGIA URBANA EM BRAGA: BALANÇO DE 37 ANOS DE INTERVENÇÕES ARQUEOLÓGICAS
Manuela Martins / Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho
Luís Fontes / Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho
Armandino Cunha / Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga

A arqueologia urbana iniciou-se em Braga em 1976, com a criação do Campo Arqueológico de Braga e a implementação de um conjunto de medidas legislativas que fizeram história na arqueologia portuguesa do pós 25 de Abril. Após mais de três décadas de trabalhos arqueológicos dirigidos pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UAUM) e, a partir de 1992, também pelo Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga (GACMB), procede-se a um balanço crítico dos conhecimentos adquiridos, da gestão da informação e da difusão dos resultados. Pretende-se ainda refletir sobre os diferentes modelos de gestão da arqueologia urbana em Portugal e sobre o seu papel diferencial nas estratégias de planeamento e desenvolvimento das cidades históricas.

10. ARQUEOLOGIA URBANA EM VALENÇA. METODOLOGIAS E RESULTADOS
Luís Fonte / Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho
Belisa Pereira / Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho
Francisco Andrade / Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho

Em 2004, a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho e o Município de Valença implementaram na cidade de Valença um projeto de arqueologia urbana, vinculado a um ampla intervenção de requalificação urbana, que ainda decorre.
No âmbito desse projeto têm-se realizado levantamentos, sondagens, escavações e acompanhamentos arqueológicos, com o duplo objetivo de minimizar os impactes resultantes da execução de obras e de investigar a evolução urbana de Valença, das suas origens até à atualidade.
Pelas metodologias implementadas, pelo conceito de intervenção integrada e pelos resultados obtidos, considera-se que o projeto de estudo arqueológico de Valença realiza plenamente o conceito de Arqueologia Urbana entendida como atuação de investigação aplicada.

11. A ARQUEOLOGIA URBANA EM LISBOA: ANÁLISE DA ACTIVIDADE ARQUEOLÓGICA ENTRE 2006 E 2011 E DIVULGAÇÃO PATRIMONIAL
João Araújo / FL/UL
Bernardo Cardoso / FL/UL
Inês Castelo / FL/UL
Giovanni Muccioli / FL/UL
Helena Reis / FL/UL
Sara Ruela / FL/UL

Com base em pesquisa arquivística, tentou-se fazer um enquadramento da realidade arqueológica da cidade de Lisboa, complementando este diagnóstico com a realização de inquéritos, a partir dos quais se pretendeu aferir o nível de fruição, por parte do público geral, das infraestruturas patrimoniais da cidade.

12. ESTRADAS DE PORTUGAL, S.A. RETROSPECTIVA DE 18 ANOS DE ACTIVIDADE ARQUEOLÓGICA (1995-2013)
Carlos Alberto do Rosário Ramos / Gabinete de Ambiente da EP – Estradas de Portugal, SA

Propomo-nos sistematizar 18 anos de actividade arqueológica no âmbito de um sector que, por inerência, se reveste de características potencialmente gravosas para a preservação do património arqueológico.
Será apresentada a forma como a Estradas de Portugal, e entidades que a antecederam, se organizaram para lidar com uma realidade que era nova e que adveio da introdução na legislação nacional de normativos comunitários, que impunham a obrigatoriedade dos grande empreendimentos públicos e privados serem submetidos a processos de Avaliação Ambiental. Serão apresentadas as medidas adoptadas para então se compatibilizar a actividade construtora com a preservação dos vestígios do passado, as adversidades encontradas, o relacionamento com os diversos organismos da tutela e a evolução da atitude dos arqueólogos inseridos em processos tendentes à construção de infraestruturas rodoviárias.