8. Paisagens Culturais, Ribeirinhas e Marítimas

137. ENTALHES, MECHAS E CAVILHAS: EVIDÊNCIAS DE UM NAVIO ROMANO NA PRAÇA D. LUÍS I (LISBOA)  
Cristóvão Fonseca / CHAM / FCSH-UNL / UAç
José Bettencourt / FCSH-UNL / UAç
Teresa Quilhó / IICT

O presente artigo apresenta os resultados preliminares dos trabalhos de registo e avaliação de um elemento naval em madeira identificado durante os trabalhos de escavação arqueológica na Praça D. Luís I em Lisboa. A peça encontrava‑se num contexto portuário, onde se registaram materiais de época romana, que datam entre o século I a.C. e o século V.
As medidas, a morfologia e o sistema de fixação desta peça sugerem que fez parte da estrutura de um navio da antiguidade clássica, podendo corresponder a uma peça longitudinal, tábua de forro ou quilha.
Na ausência de outros vestígios de navios desta época na costa portuguesa, a peça da Praça D. Luís I constitui um vestígio singular, com importância científica de excepção.

138. ORLA RIBEIRINHA DE LISBOA: CONTEXTOS NÁUTICOS DE ÉPOCA MODERNA (RECENTES DESCOBERTAS)  
Alexandre Sarrazola / ERA‑Arqueologia

A ERA‑Arqueologia
tem vindo a realizar o acompanhamento permanente das obras de construção do Parque de
Estacionamento da Praça Dom Luís I (Emparque) e da Nova Sede Corporativa da EDP, que se inserem em plena
zona ribeirinha de Lisboa. O resultado das intervenções arqueológicas efectuadas até ao momento representa um
contributo de inequívoca importância para a história da cidade, particularmente no que concerne à sua vocação
marítima. Pelo seu interesse, raridade e pela natureza interdisciplinar das intervenções arqueológicas destacam‑se
a Grade de Maré (século XVII/XVIII) e as embarcações Boa Vista 1 e Boa Vista 2 (século XVII/ XVIII).

139. A PAISAGEM CULTURAL MARÍTIMA DA RIA DE AVEIRO (SÉCULOS XV-XIX): UMA PRIMEIRA ABORDAGEM  
Patrícia Carvalho / FCT / CHAM / FCSH‑UNL / UAç

A ria de Aveiro influenciou a ocupação humana do centro de Portugal dando origem a comunidades fortemente marcadas pelas actividades marítimas. As características naturais deste espaço resultaram num registo arqueológico subaquático diversificado, constituído por quase uma dezena de sítios arqueológicos, e na formação de uma paisagem onde abundam elementos relacionados com actividades marítimas, nomeadamente portuárias. Com vista à integração cultural dos sítios subaquáticos, pretende‑se abordar a evolução da laguna entre os séculos XV a XIX. Serão considerados aspectos económicos relacionados com o povoamento ou com o aproveitamento de recursos naturais. Procurar‑se‑à também caracterizar as alterações naturais e culturais na navegação lagunar, analisando o seu impacto na paisagem. Este estudo procura assim abordar o património cultural marítimo desta região, analisando também fontes escritas e iconográficas.

140. PROJECTO DE CARTA ARQUEOLÓGICA DO CONCELHO DE LAGOS (2006-2010): HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTOS  
Tiago Miguel Fraga / CHAM / FCSH‑UNL / UAç

O projecto de Carta Arqueológica Subaquática do Concelho de Lagos, sob a direcção da Camara Municipal de Lagos, ocorreu entre 2006 e 2010 e serviu para identificar e cartografar preliminarmente o património cultural subaquático existente no concelho. Durante a vigência do projecto descobriu‑se cinco naufrágios, diverso património cultural submerso, que permitiu a iniciação de dois projectos separados de investigação e ter uma noção da evolução histórica da interface marítima de Lagos.

141. A PAISAGEM CULTURAL MARÍTIMA DE CASCAIS: O MODELO DE INVESTIGAÇÃO E DE GESTÃO DO LITORAL  
Jorge Freire / CHAM / FCSH‑UNL
António Fialho / Câmara Municipal de Cascais

O conceito de paisagem Cultural Marítima é, na arqueologia subaquática portuguesa, de discussão muito recente. Com este artigo pretendemos analisar parcialmente o impacto que este tipo de abordagem tem numa costa que é fortemente recortada e num litoral que é morfologicamente complexo, pois têm influência do Oceano Atlântico e do Estuário do Rio Tejo. O litoral de Cascais, localizado junto a Lisboa, é espaço que pretendemos confrontar com este paradigma epistemológico. As relações e as redes entre o homem e os vestígios do passado náutico, directos e indirectos, são perspectivados na longue durée e numa abordagem espacial de zonas de transporte.