6. Época Medieval

104. PAISAGEM E POVOAMENTO RURAL NO TROÇO MÉDIO DO VALE DO GUADIANA ENTRE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MÉDIA
João António Ferreira Marques / CHAIA – Centro de História da Arte e da Investigação Artística /Universidade de Évora

A problemática da transição do mundo antigo para o mundo medieval tem ocupado vários investigadores, mas do ponto de vista do povoamento rural para a região Sul de Portugal, a questão não tem sido investigada de forma sistemática através da análise de um território restrito. No final dos anos noventa do século XX foi empreendido na região do Alentejo, no vale do rio Guadiana, um programa de minimização dos impactes sobre o património arqueológico resultantes da construção da barragem de Alqueva. A partir dos dados então obtidos procura‑se efetuar a caracterização da paisagem rural do troço médio do Guadiana, entre a Antiguidade Tardia e a Idade Média, tentando responder como se processaram, nesse ambiente, os fenómenos de transição socioeconómica e de aculturação, com evidentes continuidades.

105. QUINTA DA GRANJA 1 (MAIORCA, ALCOBAÇA): NOVOS DADOS SOBRE O POVOAMENTO DA ESTREMADURA NA ALTA IDADE MÉDIA
Cristina Gonzalez / CRIVARQUE, Lda

A cerca de 500 m a sul da povoação da Maiorga, Alcobaça, foi recentemente identificado e escavado o que restava de um sítio de ocupação alto‑medieval. Situava‑se num local com domínio visual sobre a vasta planície que se estendia para oeste até à Nazaré. Pelas suas características, a Quinta da Granja 1 parece‑nos passível de ser classificada como um local de habitat permanente, embora de relativamente pequenas dimensões. Encontrava‑se consideravelmente mal preservado, subsistindo apenas ao nível de estruturas negativas escavadas no substrato geológico. A sua importância prende‑se sobretudo com o pouco conhecimento acerca das populações existentes nesta região no período que decorre entre a desagregação do império romano e a Reconquista cristã.

106. O BAIRRO DE MĀDINA YĀBURA
Vanessa Galiza Filipe / IAP FCSH; UNL

As intervenções arqueológicas desenvolvidas no espaço do actual Museu Municipal de Évora foram realizadas nos anos de 1996 e 1997 pela empresa de arqueologia Arkhaios em estreita colaboração com Theodor Hauschild e o Instituto Arqueológico Alemão. A abordagem arqueológica centrada nos níveis de ocupação islâmica permitiu o desvelar de informações sobre o legado civilizacional islâmico em Évora, nomeadamente o processo de urbanização do bairro residencial situado no interior de mādina Yābura

107. RITUAIS FUNERÁRIOS NA NECRÓPOLE MEDIEVAL ISLÂMICA DE BEJA
Inês Martins / FCSH/UNL
Raquel Santos / Neoépica, Ld.ª

O presente trabalho tem como objectivo a apresentação de alguns dados arqueológicos correspondentes à necrópole medieval islâmica da cidade de Beja. O conteúdo em análise provém das intervenções arqueológicas efectuadas pela empresa Neoépica, Lda. entre 2009 e 2011 no âmbito de obras de remodelação da Escola Secundária Diogo de Gouveia a cargo da Parque Escolar, E.P.E. Esta abordagem contempla as diferentes áreas intervencionadas dentro do espaço da escola secundária onde se identificaram enterramentos muçulmanos, dando assim a conhecer o ritual funerário ali praticado. Deste estudo resulta uma visão individualista dos diferentes espaços intervencionados, mas que nos permitirá obter uma leitura global desta necrópole medieval islâmica da cidade de Beja.

108. SILOS MEDIEVAIS DA TRAVESSA DAS CAPUCHAS (SANTARÉM): ESTRUTURAS E CULTURA MATERIAL
Carlos Boavida / IAP‑
FCSH/UNL / AAP
Tânia Manuel Casimiro / FCT / IAP‑FCSH/UNL / ARPA / AAP
Telmo Silva / IAP‑FCSH/UNL / ARPA

Durante trabalhos de acompanhamento arqueológico de obras para substituição de infra‑estruturas de electricidade, água e saneamento na cidade Santarém, identificaram‑se diversas estruturas negativas e positivas. Entre aquelas destaca‑se conjunto de vinte e dois silos, escavados no substracto argiloso, onde foram exumados materiais cerâmicos de produção local e de importação, metálicos e vítreos, a par de diversa fauna, atribuíveis aos finais do século XIV, cronologia assegurada pelos diversos numismas ali identificados, colocando a datação terminus ante quem no reinado de D. João I.
No mesmo local foram identificados vestígios de outras edificações e de necrópole islâmica, muito danificada, na qual foram reconhecidos diversos enterramentos, associados a escassa cultura material.

109. ASPETOS FORMAIS, TÉCNICOS E CULTURAIS DO UNIVERSO CERÂMICO DA SANTARÉM MEDIEVAL. UMA ANÁLISE PRELIMINAR
Marco Liberato / IEM-UNL/FCSH
Helena Santos

A partir da análise integrada de várias dezenas de amostras artefactuais, cujos processos de deposição sugerem uma elevada homogeneidade cronológica dos materiais recolhidos, recuperadas durante uma intervenção arqueológica nos n.ºs 2 a 8 da Avenida 5 de Outubro, em Santarém, pretende‑se esboçar uma apresentação preliminar dos aspectos crono‑tipológicos e culturais da cerâmica que circulou nesta cidade entre os séculos XI e XIV. Tenta‑se assim demonstrar que, mau grado a existência de algumas dissonâncias ao nível local, se denota uma evidente unidade cultural na região do Baixo Tejo, em que os caracteres mediterrânicos permaneceram amplamente dominantes mesmo após a sua integração no reino portucalense.

110. UM FRAGMENTO DE MAQABRĪYYA MUDÉJAR DE SANTARÉM
Gonçalo Lopes
Helena Santos

Analisa‑se um fragmento de uma epígrafe funerária mudéjar, uma maqabrīyya datada do ano de 1298, exumada de um espaço habitacional baixo‑medieval no decorrer dos trabalhos arqueológicos realizados no ano de 2007 na Av. 5 de Outubro n.ºs 2‑8, em Santarém. Apesar de se ignorar a sua proveniência original, a raridade deste tipo de epígrafes, associada aos seus aspectos formais, fazem dela um testemunho de capital importância para a compreensão das relações externas da comuna mudéjar de Santarém, bem como dos influxos remanescentes do Islão peninsular durante a baixa Idade Média.

111. CASTELO DE CASTELO BRANCO – ACAHADOS FORTUITOS NAS COLECÇÕES DO MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR
Carlos Boavida / IAP‑FCSH/UNL / AAP

Embora tenham ocorrido diversos trabalhos arqueológicos na alcáçova albicastrense, nomeadamente nas décadas de 1980 e de 2000, naquele local verificaram‑se alguns achados fortuitos ao longo do século XX que permanecem na sua maioria inéditos. Grande parte destes achados integrava a colecção pessoal de Francisco Tavares Proença Júnior, que esteve na origem do actual museu com o seu nome, onde hoje se encontram em depósito.
Este conjunto de materiais recolhidos no castelo e na sua área envolvente inclui peças de diversas épocas, com destaque para as dos períodos romano e medieval.

112. A TORRE DE ANTO NA HISTÓRIA DAS MURALHAS DA CIDADE DE COIMBRA À LUZ DAS NOVAS EVIDÊNCIAS ARQUEOLÓGICAS
Susana Temudo
Luísa Maria Silva

Apresentação dos resultados arqueológicos auferidos da intervenção realizada na Torre de Anto, no âmbito da sua reabilitação para a instalação da Casa‑Museu da Guitarra do Fado de Coimbra, promovida pelo Gabinete do Centro Histórico da Câmara Municipal de Coimbra, e na qual se identificaram vários elementos que permitem um novo contributo informativo na história das muralhas da cidade.

113. ESTELAS FUNERÁRIAS MEDIEVAIS, DO DISTRITO DE BEJA – FORMAS, SUPORTES E ICONOGRAFIA
José Daniel Malveiro / Instituto de Arqueologia e Paleociências. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – UNL

Apresenta‑se o resultado do estudo de conjunto, constituído por duzentas e trinta e oito estelas medievais, provenientes do Distrito de Beja, também conhecidas por estelas discóides e estelas rectangulares ou bem como cabeceiras de sepultura. A quando do início deste trabalho, conheciam‑se setenta e uma estelas publicadas, correspondendo a 30% do conjunto agora estudado, ou seja, mais cento e sessenta e nove monumentos inéditos, correspondendo a 70% do conjunto. Foi elaborado catálogo de todos os exemplares até agora descobertos, na região mencionada, procedeu‑se ao seu enquadramento histórico‑
arqueológico e estudaram‑se os diferentes aspectos que aqueles monólitos proporcionam, o seu suporte e forma, mas nomeadamente a diversa simbologia que patenteiam. Nesta destaca‑se iconografia relacionada com práticas religiosas, mas também actividades económicas e militares.

114.SÃO JOÃO DA PESQUEIRA: SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DO TERRITÓRIO MEDIEVAL
André Donas‑Botto

Nesta comunicação tentaremos explicar de forma resumida o trabalho por nós desenvolvido aquando da elaboração da nossa dissertação de mestrado com o intuito de receber o grau de mestre em Arqueologia e Território na especialização em Arqueologia Medieval. Para além de abordarmos a disciplina da arqueologia extensiva faremos uma breve menção aos métodos por nós aplicados, assim como os principais dados obtidos e conclusões. A existência de dois territórios medievais, a proposta de Paredes da Beira como Omina e a presença de um Eremitério alto‑medieval em São Salvador do Mundo apresentam‑se como os principais dados desta investigação.

115.PRODUÇÃO MONETÁRIA EM PORTUGAL
Tiago Gil Curado / Durham University

A distribuição e cronologia da produção monetária em Portugal durante a monarquia varia de acordo com cada reinado. Vários monarcas escolheram cunhar moeda em diferentes cidades.
No poster é analisada a mudança de casas de cunho segundo as situações socioeconómicas portuguesas de cada monarca. É ainda acrescentada a tecnologia do fabrico da moeda.

116.CONTRIBUTO PARA O ESTUDO DE MONSARAZ – OS RESULTADOS DAS ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS NO REVELIM DE SÃO JOÃO
Maria Margarida Ataíde Nunes / Instituto de Arqueologia e Paleociências – FCSH – UNL

Apresenta‑se o resultado do trabalho de sondagem e escavação arqueológica efectuado em 1996. Foram postas a descoberto estruturas arqueológicas habitacionais até então desconhecidas e identificou‑se o sistema construtivo. Embora o muro que integra a fachada da hoje Ermida de São João Baptista (conhecida como Cuba) possa ter pertencido a construção anterior, o corpo que forma um cubo pertence, muito provavelmente, ao século
XVI. Nesta data foram construídas no mundo rural alentejano ermidas análogas.
Este trabalho permitiu ainda a identificação de pinturas murais existentes nas estruturas arqueológicas escavadas e no interior daquela Ermida, já referidas por Túlio Espanca. Foi possível traçar a origem e evolução da «Cuba», de forma a contribuir para o conhecimento de mais uma peça fundamental da história de Monsaraz.