2. Estudo, Gestão e Valorização

13. O REGISTO ARQUEOLÓGICO E A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO EM AVALIAÇÃO DE IMPACTE AMBIENTAL
Gertrudes Branco / CHAIA / Uévora

A prática arqueológica em território nacional conheceu nos últimos anos do séc. XX um importante desenvolvimento, que inverteu a polaridade das intervenções do campo da investigação científica, efetuada preferencialmente em meio académico, para o domínio das ações preventivas e de salvaguarda exercidas de forma liberal. Muitas destas ações são potenciadas pelo cumprimento das exigências decorrentes da aplicação da legislação de avaliação de impacte ambiental, sejam prospeções arqueológicas efetuadas no âmbito da caracterização do património arquitetónico e arqueológico afeto a áreas de projeto, seja o acompanhamento arqueológico da sua execução, ou a realização de registos, sondagens ou escavações arqueológicas de minimização.
Face aos resultados obtidos para o Alentejo Central, compete‑nos repensar os conceitos e as metodologias arqueológicas, otimizando‑os em prole dos objetivos da denominada “arqueologia preventiva e de salvaguarda”, garantindo a cientificidade e a utilidade futura dos resultados obtidos e dos registos efetuados.

14. A AVALIAÇÃO DE IMPACTE AMBIENTAL (AIA) E A ATIVIDADE ARQUEOLÓGICA
Alexandra Estorninho / Direção‑Geral do Património Cultural
João Marques / Direção‑Geral do Património Cultural
Ana Nunes / Direção‑Geral do Património Cultural

O procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) permite uma decisão sobre a viabilidade dos projetos baseada numa ponderação alargada dos fatores ambientais, entre os quais o Património Cultural. A participação nos procedimentos de AIA, iniciada de forma sistemática há cerca de 15 anos, constitui atualmente uma das principais tarefas da tutela e dela resulta a maior parte da atividade arqueológica nacional. Com o presente trabalho reflete‑se sobre a forma como se procedeu no quadro da AIA à avaliação do Património Cultural, especificamente o Património Arqueológico para o qual a tutela estabeleceu um conjunto de procedimentos metodológicos. Apresentam‑se dados sobre a atividade arqueológica decorrente destes procedimentos e analisa‑se as consequências da participação nestes processos na tutela e nos profissionais da área.

15. OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA NA ARQUEOLOGIA PORTUGUESA
Célia Gonçalves / NAP –Universidade do Algarve

Em Portugal apenas em 1993 surge a primeira referência aos SIG em âmbito arqueológico, aquando da realização das V Jornadas Arqueológicas da Associação dos Arqueólogos Portugueses. Com exceção da plataforma Endovélico, e ao contrário do que se sucedeu na América do Norte e em alguns dos países europeus, a carga de iniciativas mais forte na relação SIG/Arqueologia em Portugal tem sido quase sempre feita por investigadores individuais no desenvolvimento dos seus trabalhos académicos. O presente artigo apresenta um balanço destes vinte anos de aplicação dos SIG na Arqueologia Portuguesa e pretende esboçar o panorama atual de utilização e tomada de consciência das potencialidades da ferramenta, através dos resultados de um inquérito realizado à comunidade arqueológica entre Maio‑Junho de 2013.

16. A CARTA ARQUEOLÓGICA DE AVIS. REFLEXÕES SOBRE O PALEOLÍTICO
Ana Cristina Ribeiro / Centro de Arqueologia de Avis
Maria Margarida Salvador / Centro de Arqueologia de Avis

Avis correspondia, no que diz respeito à Pré‑História Antiga, a um espaço vazio, localizado entre as bacias hidrográficas do Tejo e do Guadiana. Pelas características deste território, marcado por duas linhas de água de grande importância, as ribeiras Grande e de Seda, era premente desencadear os trabalhos necessários que permitissem verificar a existência de vestígios paleolíticos. Neste sentido, foram definidas, no âmbito da Carta Arqueológica de
Avis, prospecções direccionadas para a identificação de testemunhos das primeiras ocupações humanas.
Os resultados preliminares desses trabalhos, iniciados em 2011, são agora apresentados. Pretende‑se ainda debater os principais obstáculos que poderão estar na origem das dificuldades de identificação de ocorrências de cronologia tão recuada, assim como as perspectivas de continuidade desta vertente do projecto.

17. CONTRIBUTO PARA O CONHECIMENTO DO CONCELHO DE ARRAIOLOS: O PROJETO LAPA
Leonor Rocha / CHAIA / Universidade de Évora
Ivo Santos / CHAIA / Universidade de Évora

O projeto “Levantamento Arqueológico e Patrimonial de Arraiolos – LAPA”, da responsabilidade dos signatários, tem por objetivo rever e atualizar os dados arqueológicos e patrimoniais referentes ao atual concelho de Arraiolos.
Os trabalhos de campo realizados nos últimos 3 anos incidiram nas áreas que se encontravam com maiores lacunas na investigação, quer por existir um aparente vazio, quer por a informação existente se reportar a trabalhos antigos. Os resultados obtidos permitiram colmatar algumas das lacunas existentes e, paralelamente, ampliar significativamente o universo de sítios conhecidos sobretudo no que diz respeito à Pré-História Recente e à Época Romana.
Esta comunicação pretende dar a conhecer os diferentes tipos de vestígios identificados até ao presente, nesta área, procurando simultaneamente perceber as suas dinâmicas de povoamento.

18. PROJETO DE INVESTIGAÇÃO: HISTÓRIA DO POVOAMENTO DE PICOTE (HISTPP)
Daniela de Freitas Ferreira / Membro do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM)
Filipe Costa Vaz / Membro do CIBIO

Numa época de profunda retração do investimento público no que diz respeito à investigação em Arqueologia, foi constituído o projeto História do Povoamento de Picote. Esta iniciativa, financiada pela REN através da associação Frauga, tem como principal ator o Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Sob a coordenação científica dos docentes de arqueologia da UP, este projeto conta com uma vasta equipa especializada e multidisciplinar, abrangendo todas as áreas necessárias à boa condução da investigação a que o projeto se propõe. A sua finalidade última visa o estudo compreensivo do povoamento humano da região que contribuirá para impulsionar o desenvolvimento social, económico e cultural da povoação bragançana de Picote.

19. O PROJETO DE INVESTIGAÇÃO ARQUEOLÓGICA DO NÚCLEO DO CASTELO DE LEIRIA: ENQUADRAMENTO, OBJETIVOS E RESULTADOS
Vânia Carvalho / Câmara Municipal de Leiria
Isabel Inácio / Arqueohoje, Lda

A Câmara Municipal de Leiria encontra‑se a desenvolver, desde 2009, um projeto de investigação no Castelo de Leiria, no quadro do Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos e incluído no Programa de Ação Local para a Regeneração Urbana do Centro Histórico de Leiria. Este projeto contemplou, entre outros, estudos paramentais, prospeção geofísica, escavação arqueológica e estudo de espólio, com vista à fundamentação de um projeto de valorização e requalificação do monumento. Os resultados agora apresentados, uma primeira abordagem ao estudo de ocupação do Castelo, pretendem‑se mais aprofundados no futuro, abrindo hipóteses de interpretação, não só em relação às épocas de ocupação, como à sua relação com o espaço.

20. RESULTADOS PRELIMINARES DAS PROSPECÇÕES ARQUEOLÓGICAS DO PROJETO SADO-MESO: NOVOS DADOS SOBRE O POVOAMENTO HISTÓRICO NA BACIA DO RIO SADO (PORTUGAL)
Leonor Rocha
Enrique Cerrillo Cuenca
Mariana Diniz
Pablo Arias
Ivo Santos
Raquel Liceras Garrido
Sergio Quintero Caballero
Jairo Naranjo Mena
Adara López López

No âmbito dos projetos de investigação que se estão a desenvolver na área do Sado, sobre o estudo dos concheiros Mesolíticos, têm‑se vindo a realizar prospecções arqueológicas com o intuito de se identificaram novos sítios e relocalizar os antigos.
As prospecções realizadas têm por objetivo obter uma sequência do povoamento do Sado, área que até agora não contava com dados de prospecções intensivas. Apesar de se tratar de um projeto centrado no estudo dos concheiros mesolíticos do vale do Sado, a metodologia proposta implicava uma cobertura total da área de prospecção, assim como o registo das evidências arqueológicas, independentemente das suas cronologias.
Apresenta‑ se aqui um resumo destes novos sítios de cronologia histórica, como contributo para o conhecimento arqueológico desta área.

21. O QUE SE FAZ À ARQUEOLOGOGIA PARA SER MELHOR E MAIS EFICAZ: ALGUMAS REFLEXÕES
Vítor Oliveira Jorge / FL-UL
Florbela Estêvão / Câmara Municipal de Loures

Os autores, com base nas suas experiências no âmbito da arqueologia portuguesa reflectem sobre alguns dos múltiplos aspectos que têm obstaculizado a consolidação, no país, deste domínio de pesquisa. Concentram‑se em duas vertentes principais.
1- Relação dos elementos propriamente arqueológicos com o território ‑ dificuldade de praticar uma “arqueologia preventiva” articulada com uma “arqueologia da paisagem”.
2- Necessidade de criar, a partir da arqueologia, narrativas que ultrapassem o historicismo cronológico e linear da sucessão de períodos, fases, horizontes, etc., ou seja, a mais comum “história dos historiadores”, e também ajudem o público em geral a ver a arqueologia como a produção de conhecimentos que são fundamentais para a qualificação do ambiente humano. É necessário uma arqueologia ou genealogia da arqueologia.

22. PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA ARQUOLOGIA PÚBLICA: MEMÓRIA E COMUNICAÇÃO
Miguel Lago / ERA‑Arqueologia, S.A.
Alexandre Sarrazola / ERA‑Arqueologia, S.A.

A Arqueologia está hoje inserida num mundo complexo, participando de decisões sobre o futuro dos territórios e do Património que nos chega do passado. Neste âmbito, a comunicação do trabalho dos arqueólogos deve ser aberta e fluida, assente em rigor, simplicidade e criatividade. Sem esquecer que interferem num palco de interesses e decisões, os arqueólogos devem afirmar uma Arqueologia Pública, verdadeiramente de todos. Este é, hoje, o grande desafio da Arqueologia portuguesa. A partir do projecto da ERA propõe‑se uma reflexão sobre novos caminhos de afirmação social da disciplina.

23. A VALORIZAÇÃO PATRIMONIAL E EDUCATIVA DE SÍTIOS PALEOLÍTICOS: O EXEMPLO DA FOZ DO ENXARRIQUE
Luís Raposo / Museu Nacional de Arqueologia e Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Silvério Figueiredo / Centro Português de Pré‑História
e Geo‑História e Instituto Politécnico de Tomar

O sítio arqueológico da Foz do Enxarrique localiza‑se nas margens do rio Tejo, em Vila Velha de Ródão. Apresenta uma ocupação principal do Paleolítico Médio, representada por um horizonte arqueológico in situ constituído por largos milhares de artefactos líticos e por um rico conjunto faunístico, em directa associação estratigráfica e espacial com a ocupação humana.
O acesso ao sítio, classificado como “imóvel de interesse público”, foi recentemente beneficiado pela construção de ponte pedonal unindo as duas margens da ribeira do Enxarrique. Este facto, aconselha a adopção de medidas que melhor o protejam e potenciem socialmente, incluindo elementos de valorização patrimonial e educativa, numa perspectiva que se crê inovadora no plano nacional).

24. PARQUES ARQUEOLÓGICOS/CULTURAIS ESPAÇOS DE SOCIALIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO: O CASO DO VALE DO CÔA
José Paulo Francisco

O objectivo deste artigo é o de apresentar um novo modelo de protecção‑gestão do património (sistema de protecção territorial), com maior validez para a gestão da zona patrimonial confiada à Côa‑Parque‑Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do Côa. Em detrimento da figura legal de parque arqueológico, devido ao seu carácter redutor para uma gestão integral do património, defendemos em alternativa, a figura de protecção zona patrimonial e do sistema de gestão da mesma (parque cultural), novo modelo de protecção‑gestão integral do património, criado recentemente na comunidade autónoma da região da Andaluzia, e nos finais década de noventa do século passado, na região de Aragão, Espanha.

25. A VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO MEGALÍTICO DO LOUSAL (GRÂNDOLA)
Nuno Inácio / Departamento de Prehistoria, Universidade de Huelva
Margarida Oliveira / Centro Ciência Viva do Lousal
Tânia Ferreira / Centro Ciência Viva do Lousal
Lara Alegre / Centro Ciência Viva do Lousal

A antiga aldeia do Lousal, localizada em plena Faixa Piritosa Ibérica, guarda um vasto conjunto patrimonial associado aos trabalhos mineiros que aí se desenvolveram durante o século XX. Na região, são conhecidos cerca de duas dezenas de monumentos megalíticos que atestam a ocupação deste território por comunidades que perpetuaram a sua memória através da construção de grandes túmulos que serviram de sepultura aos antepassados. O Centro Ciência Viva do Lousal, em colaboração com a Câmara Municipal de Grândola e a Junta de Freguesia de Azinheira de Barros e São Mamede do Sádão, tem desenvolvido um conjunto de iniciativas que visam a promoção e a salvaguarda deste vasto património megalítico, estabelecendo uma ponte entre o património geológico, mineiro e arqueológico da região.

26. O PROJETO PAVT (BOTICAS, PORTUGAL). ESTUDO, VALORIZAÇÃO E DIVULGAÇÃO DE UMA PAISAGEM CULTURAL.
Luís Fontes / Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho
Bruno Osório / Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho
Mafalda Alves / Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho

O Parque Arqueológico do Vale do Terva/PAVT é um projeto conjunto do Município de Boticas e da Universidade do Minho, iniciado em 2006 com o programa de “Conservação, Estudo, Valorização e Divulgação do Complexo Mineiro Antigo do Vale Superior do Rio Terva, Boticas”.
Pretende‑se que o PAVT seja um parque arqueológico com carácter geográfico contínuo, integrando um conjunto de valores culturais e naturais que se constituem como recursos relevantes e representativos das diversas paisagens que se conformaram no território.
O PAVT desenha‑se como uma unidade de gestão da paisagem cultural, incorporando infraestruturas de visitação, como o Centro de Interpretação e o núcleo etnológico da Casa das Memórias, em Bobadela, circuitos interpretados e plataformas de observação dos recursos patrimoniais.

27. A INTEGRAÇÃO DA MEMÓRIA DA MÃE D’ÁGUA DE MIJAVELHAS NA ESTAÇÃO DO CAMPO 24 DE AGOSTO
Manuel Paulo Teixeira / Metro do Porto S.A.

A obra de implementação do Sistema de Metro Ligeiro da Área Metropolitana do Porto, constituiu uma oportunidade única para colocar a descoberto, pedaços de história esquecidos no tempo. Entre eles encontra‑se
a Arca d’Água do Campo 24 de Agosto. Este sujeito arqueológico, arquitectónico e urbanístico, criou desde a sua descoberta um objctivo comum: proceder à sua musealização. No entanto, a sua complexidade formal e subsequentemente interpretativa, obrigou os membros da equipa de projecto a saírem da sua área de conforto para iniciarem um diálogo profundo sobre: “O que preservar”; “como Expor”; e “como Explicar”. É sobre este exercício dialético e sobre o seu resultado, que assenta esta comunicação.

28. FORTE DE SÃO LOURENÇO (OLHÃO): CONTRIBUTOS PARA A VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO LOCAL
Fátima Claudino / Centro de História de Além-Mar

A presente comunicação tem por objetivo apresentar um projeto de valorização em arqueologia e história, situado em plena Ria Formosa, em Olhão. A construção do Forte de S. Lourenço em 1653, integrou‑se na planificação da defesa marítima da costa algarvia e especificamente na defesa da barra de acesso a Faro. Proponho‑me apresentar o trabalho de valorização e de sensibilização realizado junto da comunidade local, entre 2008 e 2012 sobre um património que apenas pode ser observado em períodos de baixa‑mar. Os vestígios do Forte de S. Lourenço, perduram ainda hoje na memória local entre as comunidades marítimas de pescadores e mariscadores que vão à pesca “aos polvos do Forte” que se escondem dentro das três bocas‑de‑fogo que permanecem no sítio.